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Artigo doutrinário

O choro dos empresários

Por Raquel Cavalcanti Malenchini. Como noticiou a imprensa, o Presidente Lula afirmou que os empresários brasileiros reclamam demais e que, em vez de agirem desse modo, deveriam ter criatividade para ...

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ABNT
MALENCHINI, Raquel Cavalcanti Ramos Machado. O choro dos empresários. migalhas_import, 30 jan. 2004. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/depeso/3540/o-choro-dos-empresarios. Acesso via: JurisTube — Acervo Digital de Direito. Disponível em: https://juristube.com.br/colunistas/raquel-cavalcanti-ramos-machado-malenchini/o-choro-dos-empresarios. Acesso em: 2 out. 2026.
APA
Malenchini, R. C. R. M. (2004, January 30). O choro dos empresários. *migalhas_import*. https://www.migalhas.com.br/depeso/3540/o-choro-dos-empresarios
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MALENCHINI, Raquel Cavalcanti Ramos Machado. 2004. “O choro dos empresários.” *migalhas_import*, January 30. https://www.migalhas.com.br/depeso/3540/o-choro-dos-empresarios
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O choro dos empresários

Raquel Cavalcanti Ramos Machado*

Como noticiou a imprensa, o Presidente Lula afirmou que os empresários brasileiros reclamam demais e que, em vez de agirem desse modo, deveriam ter criatividade para expandir e melhorar seus negócios. Essa frase se assemelha àquela célebre dita pelo ex-presidente do Estados Unidos, Jonh Kennedy, e que, na época, estimulou o crescimento econômico americano: “não pergunte ao seu país o que ele pode fazer por você, mas pergunte a você o que pode fazer pelo seu país.”

A idéia contida na frase pode ser de fato bastante nobre e positiva, quando se tratar de ambiente no qual se tenha efetiva liberdade para o crescimento e somente não se tenta crescer por falta de iniciativa. Ocorre que quando dita em ambiente no qual não existe essa liberdade e se tem, pelo contrário, empecilhos à realização de negócios, essa frase, além de ser inócua, é também perversa.

E é nesse último ambiente que se enquadra o Brasil, podendo, portanto, a frase do presidente Lula ser qualificada como agressão gratuita aos empresários brasileiros.

Por coincidência, há poucos dias foi divulgada pesquisa na qual o Brasil é apontado como um dos paises mais burocráticos do mundo. E a burocracia em excesso é a maior e pior barreira, criada pelo próprio governo, à criatividade. Quem realmente ignora que os empresários brasileiros têm idéias para novos negócios, mas ao tentar concretizá-las são impedidos? São inúmeras as dificuldades, desde a inicial para conseguir cadastrar-se junto aos órgãos públicos e funcionar regularmente até outras tantas e mais corriqueiras como a de armazenar grande quantidade de documentos que comprovam a quitação das inumeráveis obrigações tributárias, previdenciárias e trabalhistas. Assim, em verdade, o que se pode afirmar dos empresários brasileiros é que são vencedores diários de difíceis provas com obstáculos.

Por fim, é de se observar que as reclamações dos empresários brasileiros que motivaram a frase do presidente Lula não são no sentido de exigir do Governo a realização de um ato concreto e positivo que possibilite a melhora na infra-estrutura da atividade econômica, como por exemplo, a construção de estradas. Não. Apesar de o Estado brasileiro, nos termos da Constituição Federal, ter compromissos sociais, já se perdeu a inocência de acreditar que sob este Governo esses compromissos serão honrados. O que os empresários pediam era tão somente uma atenuação da carga tributária; no caso específico, da COFINS, que tem sofrido gradativas elevações nos últimos tempos. Ou seja, pediam tão somente liberdade econômica para poderem justamente ampliar seus negócios.

O presidente Lula, portanto, não espera “criatividade”, que como dito pressupõe “liberdade”. Exige, isto sim, a inteira sujeição do empresário brasileiro a todas as exigências do Estado, mesmo que injustas, e, mais, exige que aceitem tudo isso sem fazer qualquer reclamação. Nada mais antiliberal e antidemocrático.

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Advogada e membro do Instituto Cearense de Estudos Tributários

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