[(00:00:19)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=19) Bem-vindos ao Jurisprudência em Debate Podcast. É um prazer estar aqui. Bem-vindos ao Jurisprudência em Debate. [(00:00:29)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=29) Imagine assim a seguinte situação. Você é um servidor público, pai ou mãe de uma criança que precisa de cuidados [(00:00:35)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=35) intensivos, acompanhamento constante. Seu colega que trabalha pro governo federal tem o direito, garantido por [(00:00:41)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=41) lei, de reduzir a jornada de trabalho sem prejuízo do salário para poder se dedicar a esse cuidado. Você, no [(00:00:48)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=48) entanto, por trabalhar pro governo do seu estado ou município, não tem esse mesmo direito, simplesmente porque não [(00:00:54)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=54) existe uma lei local sobre o assunto. Foi exatamente essa angústia que chegou ao Supremo Tribunal Federal [(00:01:00)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=60) do recurso extraordinário 1 2 3 7 867, que deu origem ao tema 1097 de repercussão geral. A questão central era [(00:01:11)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=71) era bastante direta, né? Diante da omissão do legislador estadual ou municipal, o judiciário poderia estender [(00:01:18)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=78) o benefício previsto para servidores federais, especificamente o artigo 98 da lei 8112 de 90 para todos os outros [(00:01:27)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=87)
servidores do país. E a resposta do plenário do [STF](https://app.recall.it/item/52668d52-6f57-4219-aa12-10a178ea9881) em decisão unânime sobre a relatoria do [(00:01:34)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=94) ministro [Ricardo Lewandowski](https://app.recall.it/item/54a07ad9-811b-443c-afca-f45222d80d7f) foi um sonoro sim. O tribunal fixou a tese de que o direito à jornada especial se [(00:01:42)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=102) aplica sim a servidores estaduais e municipais. Hoje eu vou defender que essa decisão foi um passo eh essencial [(00:01:51)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=111) paraa concretização de direitos fundamentais, corrigindo uma falha grave do poder público. [(00:01:56)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=116) E eu vou explorar o outro lado dessa moeda. Embora o resultado seja socialmente desejável, vou argumentar [(00:02:04)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=124) que o método utilizado pelo STF representa uma intervenção judicial hum preocupante na autonomia dos Estados [(00:02:14)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=134) e municípios, levantando questões sérias sobre os limites do judiciário, a separação de poderes e e a saúde do [(00:02:22)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=142) nosso pacto federativo. Olha, para mim, a decisão do Supremo é juridicamente sólida e mais do que isso, é um avanço [(00:02:30)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=150) civilizatório. O ponto de partida não é um mero capricho dos ministros, mas a força da [(00:02:36)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=156)
nossa própria Constituição e não só dela. A Convenção Internacional sobre os direitos das pessoas com Deficiência foi [(00:02:43)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=163) incorporada ao nosso ordenamento com status, veja bem, de emenda constitucional. [(00:02:49)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=169) Isso significa que ela está no mesmo patamar da Constituição. E tanto a Convenção quanto a Carta Magna são [(00:02:56)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=176) claríssimas ao determinar a proteção integral à criança e a obrigação do Estado de dar assistência à família para [(00:03:02)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=182) que os direitos das pessoas com deficiência sejam plenamente exercidos. Ninguém discorda desses princípios. A [(00:03:08)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=188) questão é como os tornamos realidade. Exato. E é aí que entra a omissão. A inércia do legislador estadual em São [(00:03:17)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=197) Paulo e em tantos outros lugares não pode ser um escudo para violar esses comandos constitucionais. O que o [STF](https://app.recall.it/item/52668d52-6f57-4219-aa12-10a178ea9881) [(00:03:24)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=204) fez foi reconhecer que essa omissão é em si inconstitucional e mais, aplicou o princípio da igualdade em sua forma mais [(00:03:32)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=212) substantiva. Se um servidor federal, na mesmíssima situação tem o direito, porque um servidor estadual não teria? [(00:03:40)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=220)
Negar isso seria criar cidadãos de categorias diferentes, dependendo de quem assina seu contra-cheque. A [(00:03:46)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=226) decisão, portanto, não inventou um direito. Ela apenas corrigiu uma desigualdade inaceitável. Mas o que me [(00:03:52)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=232) incomoda profundamente é o método. O argumento central do estado de [São Paulo](https://app.recall.it/item/5adcc90e-58bd-4da6-bc44-e1a3322a92c3) no processo, que foi a parte vencida, [(00:04:00)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=240) não era contra os direitos da criança, mas sim em defesa da autonomia federativa. A nossa Constituição de 88 [(00:04:08)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=248) foi desenhada para dar a estados e municípios a competência para organizar seus próprios serviços e crucialmente [(00:04:16)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=256) legislar sobre o regime dos seus servidores. Quando o STF pega uma lei federal e a impõe a todos os outros [(00:04:23)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=263) entes da federação, ele está na prática agindo como um legislador positivo. O que você quer dizer com legislador [(00:04:30)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=270) positivo? É de dizer que o tribunal não está apenas anulando uma norma ou declarando [(00:04:36)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=276) uma omissão. Ele está efetivamente criando uma regra nova para aqueles estados e municípios com impacto direto [(00:04:44)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=284)
no orçamento e na gestão de pessoal. Essa é uma função que, em tese, pertence ao poder legislativo, que é eleito para [(00:04:51)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=291) isso. A decisão acaba por atropelar a separação de poderes ao interferir diretamente na administração pública [(00:04:59)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=299) local. A ausência de uma lei específica em São Paulo não era um mero esquecimento técnico, sabe? Era o [(00:05:06)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=306) resultado de uma escolha política doente competente. E o judiciário, a meu ver, não deveria ter o poder de substituir [(00:05:14)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=314) essa escolha. Entendo a sua preocupação com a forma, mas ela me parece se render a um formalismo que ignora a urgência e [(00:05:21)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=321) importância do direito em jogo. Eu não vejo isso como o ativismo judicial, mas como a função mais básica do judiciário [(00:05:30)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=330) numa democracia constitucional, o controle de constitucionalidade. Quando a inércia de um poder, no caso [(00:05:37)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=337) legislativo estadual, resulta na violação direta de um direito fundamental garantido no topo do nosso [(00:05:43)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=343) ordenamento, o judiciário não só pode, como ele tem o dever de agir. Mas qual o limite desse dever? O dever [(00:05:50)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=350)
de agir inclui criar uma despesa permanente para um município que talvez não tenha como arcar com ela. Onde a [(00:05:58)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=358) Constituição traça essa linha? A linha é a própria dignidade humana. A aplicação da lei federal, por analogia, não foi o [(00:06:06)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=366) [STF](https://app.recall.it/item/52668d52-6f57-4219-aa12-10a178ea9881) legislando do zero. Foi o uso da ferramenta jurídica mais óbvia e adequada que já existia no sistema para [(00:06:15)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=375) dar vida a um comando constitucional que estava sendo tratado como letra morta. Qual seria a alternativa? [(00:06:24)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=384) dizer aquela mãe para esperar indefinidamente pela boa vontade dos deputados estaduais enquanto seu filho [(00:06:31)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=391) fica sem o cuidado de que precisa, isso transformaria a Constituição numa mera carta de intenções. [(00:06:39)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=399) Mas essa sua lógica de concretizar um comando constitucional me parece ir longe demais. Quando o STF cria uma [(00:06:48)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=408) regra geral e abstrata, válida para todos os estados e municípios do país, como fez com o tema 1097, [(00:06:56)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=416) ele deixa de ser um juiz do caso concreto para se tornar, na prática, um legislador nacional. É aí que ele excede [(00:07:04)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=424)
a sua função. A solução correta que respeitaria a separação de poderes seria outra. O tribunal poderia ter usado uma [(00:07:12)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=432) ação direta de inconstitucionalidade por omissão a ADO, para declarar a mora do legislador e fixar um prazo para que ele [(00:07:21)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=441) próprio criasse a lei. Isso pressionaria o poder competente a agir sem que o judiciário escrevesse a norma em seu [(00:07:29)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=449) lugar. Mas isso seria prático. A gente sabe que esses prazos muitas vezes não são [(00:07:34)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=454) cumpridos e o processo se arrastaria por anos. A justiça que tarda falha. Além disso, o princípio da isonomia aqui [(00:07:43)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=463) é forte demais para ser ignorado. A necessidade de uma criança com deficiência e o dever de cuidado dos [(00:07:49)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=469) pais são idênticos em [São Paulo](https://app.recall.it/item/5adcc90e-58bd-4da6-bc44-e1a3322a92c3), no Amapá ou no Distrito Federal. Não existe uma peculiaridade local que justifique [(00:07:58)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=478) tratar de forma diferente uma questão tão tão central à divindidade humana. Condicionar esse direito ao local de [(00:08:05)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=485) trabalho do servidor é, como eu disse, criar uma cidadania de segunda classe. A decisão do [STF](https://app.recall.it/item/52668d52-6f57-4219-aa12-10a178ea9881) não enfraqueceu o [(00:08:12)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=492)
federalismo, ela o aperfeiçoa, garantindo um piso civilizatório mínimo em todo o território nacional e [(00:08:19)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=499) corrigindo uma distorção que o próprio federalismo estava neste caso, permitindo, desde que o núcleo essencial [(00:08:26)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=506) dos direitos seja preservado. Cada estado, cada município tem realidades orçamentárias e administrativas [(00:08:34)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=514) completamente distintas. Uma solução tamanho único, imposta de cima para baixo ignora essa diversidade. E pior, [(00:08:42)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=522) ela cria um perigoso desincentivo. Você gera o que podemos chamar de um risco moral pro legislador local. [(00:08:49)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=529) Como assim risco moral? Se os estados e municípios sabem que no final do dia o STF vai intervir e resolver a omissão [(00:08:58)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=538) legislativa importando uma lei federal, qual o incentivo para que eles façam o trabalho difícil de debater, negociar e [(00:09:08)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=548) aprovar suas próprias leis adaptadas à suas realidades financeiras? Nenhum. É mais fácil não fazer nada e esperar a [(00:09:17)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=557)
solução vir de Brasília. Isso pode levar a uma verdadeira atrofia legislativa em nível local. A decisão, a pretexto de [(00:09:26)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=566) resolver um problema, pode acabar criando um problema ainda maior paraa vitalidade do nosso federalismo, [(00:09:34)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=574) desestimulando o debate político onde ele deveria acontecer. É um ponto interessante, mas ele parte do [(00:09:40)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=580) pressuposto de que o debate local aconteceria de forma justa e eficiente, o que é realidade frequentemente [(00:09:47)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=587) desmente. Muitas vezes, a omissão não é uma escolha política, é o resultado da falta de prioridade para com grupos [(00:09:55)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=595) minoritários e vulneráveis. Nesse cenário, a intervenção do [STF](https://app.recall.it/item/52668d52-6f57-4219-aa12-10a178ea9881) é a garantia de que esses direitos não serão [(00:10:02)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=602) esquecidos, talvez. Mas vamos levar a discussão para um campo ainda mais prático, o do [(00:10:09)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=609) dinheiro. O acórdão do STF chega a mencionar que a medida não acarretaria aumento de gastos. Com todo o respeito [(00:10:16)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=616) do ponto de vista da gestão pública, essa afirmação é bom, é uma falácia. Reduzir a carga horária de um servidor [(00:10:24)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=624)
pela metade, mantendo o salário integral, tem um custo real e mensurável. ou outros servidores da [(00:10:30)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=630) repartição ficam sobrecarregados, gerando um custo de eficiência e até de saúde, ou o gestor público precisa [(00:10:37)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=637) contratar mais gente para cobrir aquele buraco, o que é um custo direto no orçamento. [(00:10:42)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=642) Concordo que há um custo, mas a análise não pode ser puramente contável. Mas a decisão sobre esse custo é [(00:10:50)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=650) eminentemente política. é o prefeito, o governador, junto com seus legislativos, que precisam decidir de onde tirar o [(00:10:58)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=658) dinheiro. Essa decisão judicial pode parecer justa em abstrato, mas imagine um município pequeno e pobre no interior [(00:11:06)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=666) do país. Para cumprir essa determinação, o prefeito talvez tenha que escolher entre isso e manter aberta a única [(00:11:13)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=673) creche da cidade que atende dezenas de outras crianças. O STF, ao tomar essa decisão de alocação de recursos em nome [(00:11:21)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=681) do gestor local, está fazendo uma escolha trágica, sem ter que arcar com as consequências políticas e [(00:11:27)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=687)
administrativas dela. Isso é perigoso. Sua análise do custo é precisa, mas incompleta. O direito não pode se [(00:11:35)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=695) limitar a planilhas. A pergunta que o [STF](https://app.recall.it/item/52668d52-6f57-4219-aa12-10a178ea9881) respondeu foi: "Qual é o custo de não fazer isso? Qual o custo social de [(00:11:43)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=703) negar a uma criança com deficiência o acompanhamento de que ela necessita para se desenvolver? Qual o custo para [(00:11:49)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=709) estabilidade daquela família? Qual o custo a longo prazo pra sociedade de uma inclusão que falhou? O tribunal ponderou [(00:11:56)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=716) esses valores e concluiu, corretamente, a meu ver, que o custo da violação de um direito humano fundamental é [(00:12:02)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=722) infinitamente maior. O direito à saúde e à dignidade prevalece sobre uma análise orçamentária, especialmente quando o [(00:12:09)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=729) argumento do orçamento só aparece por causa da falha original do próprio Estado, o seu dever de legislar para [(00:12:15)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=735) proteger os mais vulneráveis. O estado não pode se beneficiar da sua própria torpeza. Não se trata de se beneficiar, [(00:12:22)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=742)
mas de reconhecer a realidade da gestão pública, que é a administração da escassez. Impor um gasto em uma área [(00:12:30)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=750) significa invariavelmente tirar de outra. Ao criar esse precedente, a decisão abre a porta para que toda e [(00:12:38)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=758) qualquer política pública que dependa de orçamento seja no fim das contas, definidas pelos tribunais e não pelo [(00:12:45)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=765) processo democrático. E isso, a longo prazo enfraquece a própria democracia. Em suma, a posição que prevaleceu no [(00:12:53)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=773) Supremo, seguindo o voto do ministro Lewandowski, reforça uma tese essencial para o direito administrativo atual. A [(00:13:02)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=782) omissão do legislador não pode servir de pretexto para o descumprimento de deveres constitucionais. A decisão é um [(00:13:09)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=789) avanço por consolidar a primazia da dignidade humana e dos tratados internacionais sobre a inércia do poder [(00:13:16)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=796) público, garantindo que direitos fundamentais não fiquem a mercê de contingências políticas locais. Por [(00:13:23)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=803)
outro lado, a nossa conversa de hoje revela a atenção permanente que define o direito público brasileiro, o delicado [(00:13:31)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=811) equilíbrio entre a garantia de direitos e o respeito à autonomia federativa e a separação dos poderes. A decisão, embora [(00:13:39)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=819) socialmente louvável, deixa em aberto o debate crucial sobre os limites da intervenção judicial na administração e [(00:13:47)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=827) na alocação de recursos. Um tema que certamente continuará a desafiar nossos tribunais e gestores públicos. [(00:13:55)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=835) Chegamos ao fim de mais um jures prudência em Debate. Agradecemos a sua audiência. [(00:14:01)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=841) Se você gostou desta análise, não se esqueça de clicar no sininho para receber as notificações de novos [(00:14:07)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=847) episódios. E claro, deixe sua opinião sobre o tema nos comentários. Queremos muito saber o que você pensa. [(00:14:14)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=854) Divulgue este episódio em suas redes sociais e, o mais importante, assine o canal do podcast Jurisprudência em [(00:14:21)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=861) Debate. Convidamos você também a conhecer os outros podcasts disponíveis na página do [(00:14:27)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=867)
YouTube do Professor Paulo Modesto, como [Diálogos de Direito Administrativo](https://app.recall.it/item/8e178952-0910-4a17-a709-ce67f6ff7856) e o Encontros de Direito Administrativo. Até [(00:14:36)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=876) a próxima. Aviso legal: Jurisprudência em debate. Este conteúdo é gerado por inteligência artificial, com base em [(00:14:42)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=882) decisões judiciais apresentadas na íntegra, sem participação direta dos curadores do projeto ou dos autores [(00:14:48)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=888) originais dos votos na definição do roteiro ou de frases contidas no debate. Os debates são criados automaticamente [(00:14:55)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=895) podem divergir do texto fonte ao enfatizarem aspectos diferentes ou tópicos não contemplados no texto fonte [(00:15:01)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=901) original. O material tem caráter educacional e introdutório, não substituindo a leitura da decisão [(00:15:07)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=907) original, cuja consulta é altamente recomendada. A curadoria humana realizada pelo professor Paulo Modesto e [(00:15:13)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=913) sua equipe seleciona as decisões, edita a imagem dos vídeos e organiza a divulgação. A orientação geral é voltada [(00:15:21)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=921) à máxima impessoalidade, com a apresentação dos argumentos dos votos vencidos e dos votos vencedores. [(00:15:27)](https://www.youtube.com/watch?v=_GUmdsKZqJs&t=927)
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