Inclusão e escuta fortalecem acesso à justiça no território Kalunga
A escuta atenta como instrumento de inclusão marcou a inauguração do novo Ponto de Inclusão Digital (PID) na comunidade Kalunga de Engenho II, em Cavalcante…
Citação acadêmica
Copie a referência deste notícia no estilo da sua escolha e cole no seu trabalho. Geramos a citação no padrão exigido pela maioria das revistas jurídicas brasileiras. Ver guia completo.
Ver prévia das três referências▸
BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Inclusão e escuta fortalecem acesso à justiça no território Kalunga. CNJ Notícias, Brasília, 21 set. 2026. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/inclusao-e-escuta-fortalecem-acesso-a-justica-no-territorio-kalunga/. Acesso em: 21 set. 2026. Republicado em: JurisTube — Acervo Digital de Direito. Disponível em: https://juristube.com.br/noticias-juridicas/cnj-inclusao-e-escuta-fortalecem-acesso-a-justica-no-territorio-kalunga.
Conselho Nacional de Justiça. (2026, September 21). Inclusão e escuta fortalecem acesso à justiça no território Kalunga. *CNJ Notícias*. https://www.cnj.jus.br/inclusao-e-escuta-fortalecem-acesso-a-justica-no-territorio-kalunga/
@misc{cnj-inclus-o-e-escuta-fortalecem-acesso-just-2026,
author = {{Conselho Nacional de Justiça}},
title = {Inclusão e escuta fortalecem acesso à justiça no território Kalunga},
howpublished = {CNJ Notícias},
year = {2026},
url = {https://www.cnj.jus.br/inclusao-e-escuta-fortalecem-acesso-a-justica-no-territorio-kalunga/},
urldate = {2026-09-21},
note = {Republicado em: JurisTube --- Acervo Digital de Direito. URL: https://juristube.com.br/noticias-juridicas/cnj-inclusao-e-escuta-fortalecem-acesso-a-justica-no-territorio-kalunga}
}A escuta atenta como instrumento de inclusão marcou a inauguração do novo Ponto de Inclusão Digital (PID) na comunidade Kalunga de Engenho II, em Cavalcante (GO). O evento, realizado nesta segunda-feira (21/9), reuniu conselheiros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), representantes do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) e lideranças locais, que destacaram tanto os avanços da iniciativa quanto os desafios históricos enfrentados pelo povo quilombola.
A conselheira Jaceguara Dantas ressaltou que o acesso à Justiça, embora seja um direito constitucional, ainda não é assegurado a todos, especialmente em comunidades isoladas. Ela enfatizou a importância da presença do Judiciário no território Kalunga como forma de cidadania, lembrando vivências em Angola e no Mato Grosso do Sul — onde atua como desembargadora — que a marcaram profundamente. “Tudo isso renova a nossa esperança em dias melhores e de que o papel que podemos exercer é de construção coletiva, de respeito às comunidades e de diminuição da distância entre quem distribui a Justiça e seus destinatários.”
O conselheiro Carlos Vinícius Alves Ribeiro fez uma retrospectiva histórica sobre Goiás, lembrando que o estado nasceu da exploração do ouro no século XVIII, extraído por mãos escravizadas. Após o fim das lavras, a população negra permaneceu e construiu uma sociedade própria, que hoje constitui o maior território quilombola do país. Para ele, o PID simboliza a inversão de uma lógica secular de exclusão. “O povo Kalunga esperou 200 anos pelo Estado. Não era justo que esperasse mais, e o Tribunal de Justiça fez o seu papel”, pontuou.
Ao propor uma autocrítica do Judiciário, a conselheira Noemia Porto relembrou o questionamento de uma liderança local sobre o que a Justiça poderia fazer pela comunidade. Ela frisou que a presença do CNJ e do TJGO cumpre a missão essencial de aproximar a instituição das pessoas, e defendeu que os recursos naturais e o trabalho coletivo são as verdadeiras riquezas da região. “Hoje esse ouro, que é o ouro do futuro, é o da sustentabilidade, da proteção ambiental e da valorização do trabalho, que deve permanecer entre nós”, afirmou.
Durante a visita, a conselheira Andréa Esmeraldo sublinhou o caráter histórico do evento, marcado pelo resgate da memória, pelo respeito e pela dignidade. Ela recordou sua visita ao Museu da Escravatura, em Luanda, Angola, e defendeu a atuação colaborativa. “Não há soluções simples, por essa razão a parceria institucional é fundamental para a efetivação de direitos”, disse.
O conselheiro Fabio Esteves e a secretária-geral do CNJ, Clara Mota, também participaram da agenda.
No início da manhã, a comitiva do CNJ e representantes do TJGO e do Ministério Público do Trabalho inauguraram a sede própria do PID da comunidade Engenho II. No local, serão ofertados serviços essenciais como emissão de documentos (RG e CPF), atendimentos relacionados ao INSS e ao IPTU, além de orientações jurídicas.
O presidente do TJGO, desembargador Leandro Piscinini, enfatizou que a nova estrutura resulta de um diálogo de confiança com os moradores. “Em 2024, abrimos uma porta no Engenho II. Agora, ela tem um endereço próprio. Do outro lado, o caminho até o direito ficou um pouco mais curto”, declarou. Até então, os atendimentos ocorriam em uma sala da escola local. A expectativa é dar maior visibilidade aos serviços.
A partir do PID, a população poderá fazer encaminhamentos iniciais para casos de violência doméstica, acessar serviços eleitorais, realizar consultas processuais e emitir certidões. O ponto deve atender a cerca de 720 moradores da comunidade, além de microregiões como São Gonçalo, Chapada e Santíssimo.
Evani Paulino dos Santos, assistente de secretaria da comarca de Cavalcante, afirmou que o PID se consolidou como um espaço de acolhimento e integração, contando com a participação de órgãos como o Ministério Público e a SEAGE. “A comunidade, que já vinha buscando os serviços, agora terá um ambiente adequado. Todos poderão ser mais bem recebidos em suas demandas”, avaliou.
A instalação de PIDs em território quilombola integra o projeto Raízes Kalungas, que atua nos municípios goianos de Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás. A rede nessas regiões soma sete pontos de inclusão, beneficiando 25 comunidades.
Além de ouvir a comunidade, a comitiva avançou na construção do projeto Agente Comunitário Quilombola. A iniciativa busca formar lideranças locais capacitadas em direitos para atuarem como elo entre a população e o sistema judiciário.
No encontro, a juíza auxiliar da Presidência do CNJ Adriana Melonio detalhou o programa desenvolvido no âmbito do Justiça Plural, realizado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). “O agente comunitário quilombola será uma ponte, levando conhecimento, direitos e fortalecendo a cidadania”, explicou. A proposta dialoga diretamente com os PIDs, nos quais membros da própria comunidade atuam no atendimento, promovendo o protagonismo social.
As lideranças locais aproveitaram a oportunidade para apresentar demandas urgentes. Carlos Pereira chamou a atenção para o racismo estrutural que atinge diariamente os quilombolas e cobrou maior compromisso das instituições na garantia de direitos. Ele defendeu a ampliação dos espaços políticos para mulheres negras, citando o exemplo das vereadoras Eriene Kalunga e Zita Kalunga, que atuam na Câmara Municipal de Cavalcante.
O prefeito de Cavalcante, Vilmar Kalunga — primeiro quilombola eleito e reeleito do país, reforçou as barreiras históricas no acesso a serviços públicos e denunciou o preconceito contra lideranças locais. Ele pediu apoio para projetos estruturantes e defendeu ações voltadas às novas gerações, visando um futuro livre de discriminação.
Por fim, o líder comunitário Damião Santos relembrou que, há dois anos, a comunidade questionava as atribuições do Judiciário em suas demandas, já que as cobranças costumavam se restringir ao Executivo e ao Legislativo locais. Ele destacou que a aproximação com o TJGO trouxe avanços concretos, como regularização fundiária e diálogo com órgãos federais. “Em nome da comunidade, agradecemos o olhar, a presença e a ação do Tribunal de Justiça dentro e fora do território Kalunga”, concluiu.
Texto: Ana Moura Edição: Sarah Barros Agência CNJ de Notícias
Conteúdo coletado automaticamente do feed oficial e curado por filtros de relevância (decisão, acórdão, súmula, tese fixada etc.). Todos os direitos autorais permanecem com a fonte original; o JurisTube apresenta apenas o sumário e o link para a matéria completa.
Translate