Notícias Jurídicas
CâmaraAgência Câmara — Direito e Justiça·

Especialistas defendem regras claras para doação de corpos destinados ao ensino e à pesquisa médica

Debate na Comissão de Saúde da Câmara discutiu projeto que regulamenta a doação voluntária e o uso de corpos não reclamados

Copie a referência deste notícia no estilo da sua escolha e cole no seu trabalho. Geramos a citação no padrão exigido pela maioria das revistas jurídicas brasileiras.

Ver prévia das três referências
ABNT
BRASIL. Congresso Nacional. Câmara dos Deputados. Especialistas defendem regras claras para doação de corpos destinados ao ensino e à pesquisa médica. Agência Câmara, Brasília, 17 jun. 2026. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/1283425-especialistas-defendem-regras-claras-para-doacao-de-corpos-destinados-ao-ensino-e-a-pesquisa-medica/. Acesso em: 12 jul. 2026. Republicado em: JurisTube — Acervo Digital de Direito. Disponível em: https://juristube.com.br/noticias-juridicas/camara-especialistas-defendem-regras-claras-para-doacao-de-corpos-destinados-ao-ensino.
APA
Congresso Nacional. Câmara dos Deputados. (2026, June 17). Especialistas defendem regras claras para doação de corpos destinados ao ensino e à pesquisa médica. *Agência Câmara*. https://www.camara.leg.br/noticias/1283425-especialistas-defendem-regras-claras-para-doacao-de-corpos-destinados-ao-ensino-e-a-pesquisa-medica/
BibTeX
@misc{camara-especialistas-defendem-regras-claras-par-2026,
  author = {{Congresso Nacional. Câmara dos Deputados}},
  title = {Especialistas defendem regras claras para doação de corpos destinados ao ensino e à pesquisa médica},
  howpublished = {Agência Câmara},
  year = {2026},
  url = {https://www.camara.leg.br/noticias/1283425-especialistas-defendem-regras-claras-para-doacao-de-corpos-destinados-ao-ensino-e-a-pesquisa-medica/},
  urldate = {2026-06-17},
  note = {Republicado em: JurisTube --- Acervo Digital de Direito. URL: https://juristube.com.br/noticias-juridicas/camara-especialistas-defendem-regras-claras-para-doacao-de-corpos-destinados-ao-ensino}
}

Debate na Comissão de Saúde da Câmara discutiu projeto que regulamenta a doação voluntária e o uso de corpos não reclamados

17/06/2026 - 20:40

Renato Araújo / Câmara dos Deputados Bia Kicis e Osmar Terra, autores do requerimento para o debate A doação de corpos para ensino e pesquisa médica no Brasil precisa de regras claras e segurança jurídica. O alerta foi feito por especialistas em audiência pública da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, realizada na última terça-feira (16). O debate discutiu o Projeto de Lei 4272/16 , que regulamenta a doação voluntária de corpos e o uso de cadáveres não reclamados. A proposta aguarda votação no Plenário da Câmara dos Deputados. O deputado Osmar Terra (PL-RS), um dos autores do requerimento para a audiência, afirmou que é importante ouvir especialistas para aperfeiçoar a legislação. "A questão é complexa e envolve aspectos éticos, jurídicos e policiais", disse o parlamentar. Terra também alertou para o crescimento dos cursos de medicina no País. A deputada Bia Kicis (PL-DF), que também solicitou o debate, informou que o deputado Diego Garcia (União-PR) deverá relatar a proposta no Plenário. Segundo ela, a audiência teve como objetivo ouvir a sociedade e aprimorar o texto. "Não podemos criar soluções mágicas que não vão funcionar", afirmou. Renato Araújo / Câmara dos Deputados Andréa Oxley da Rocha: número de doadores não atende à demanda das instituições Escassez de corpos para ensino e pesquisa O ensino prático de anatomia e cirurgia depende do uso de corpos humanos. No entanto, especialistas apontam escassez desse material nas instituições brasileiras. O Brasil possui 494 escolas médicas em funcionamento. Dessas, apenas cerca de 40 têm programas de doação voluntária de corpos. Os dados foram apresentados por Andréa Oxley da Rocha, coordenadora do Programa de Doação de Corpos da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Segundo ela, a doação voluntária busca suprir a redução de cadáveres não reclamados disponíveis para atividades acadêmicas. Ainda assim, o número de doadores não atende à demanda das instituições. Kennedy Martinez de Oliveira, coordenador do Programa de Doação de Corpos "Vida após a Vida", da Universidade Federal de Minas Gerais, explicou que os corpos doados permitem treinamentos cirúrgicos avançados. "Os corpos passam por procedimentos robóticos. Isso é um ganho fantástico para a medicina", afirmou. Renato Araújo / Câmara dos Deputados Avelar: legislação deve seguir princípios de transparência e controle Prevenção ao comércio de corpos Os participantes também sugeriram possíveis ajustes no projeto. Expedito Silva do Nascimento Júnior, coordenador do Programa de Doação de Corpos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), alertou para o risco de mercantilização. Segundo ele, o texto permite que corpos não reclamados sejam destinados a instituições privadas, inclusive algumas com fins lucrativos. "No momento em que o capital entrar, podem ter certeza de que a dignidade humana sai pela outra porta", afirmou. Expedito defendeu que o acesso aos corpos seja restrito a instituições de ensino com cursos da área da saúde reconhecidos pelo Ministério da Educação. Segurança jurídica e fiscalização Os participantes também apontaram falta de segurança jurídica para pesquisadores e universidades. Segundo os especialistas, a ausência de regras mais detalhadas gera insegurança para instituições que utilizam corpos em atividades de ensino e pesquisa. Perito do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Rodrigo Avelar apresentou a experiência do DF. Segundo ele, uma portaria regulamentou a doação de corpos e criou uma fila única para distribuição entre as instituições habilitadas. Avelar defendeu que a futura legislação nacional siga princípios semelhantes de transparência e controle. Para o promotor, o projeto ainda apresenta lacunas. "A legislação precisa contemplar tanto a doação voluntária quanto os corpos não identificados", avaliou.

A doação de corpos para ensino e pesquisa médica no Brasil precisa de regras claras e segurança jurídica. O alerta foi feito por especialistas em audiência pública da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, realizada na última terça-feira (16).

O debate discutiu o Projeto de Lei 4272/16 , que regulamenta a doação voluntária de corpos e o uso de cadáveres não reclamados. A proposta aguarda votação no Plenário da Câmara dos Deputados.

O deputado Osmar Terra (PL-RS), um dos autores do requerimento para a audiência, afirmou que é importante ouvir especialistas para aperfeiçoar a legislação.

"A questão é complexa e envolve aspectos éticos, jurídicos e policiais", disse o parlamentar.

Terra também alertou para o crescimento dos cursos de medicina no País.

A deputada Bia Kicis (PL-DF), que também solicitou o debate, informou que o deputado Diego Garcia (União-PR) deverá relatar a proposta no Plenário.

Segundo ela, a audiência teve como objetivo ouvir a sociedade e aprimorar o texto.

"Não podemos criar soluções mágicas que não vão funcionar", afirmou.

Escassez de corpos para ensino e pesquisa O ensino prático de anatomia e cirurgia depende do uso de corpos humanos. No entanto, especialistas apontam escassez desse material nas instituições brasileiras.

O Brasil possui 494 escolas médicas em funcionamento. Dessas, apenas cerca de 40 têm programas de doação voluntária de corpos.

Os dados foram apresentados por Andréa Oxley da Rocha, coordenadora do Programa de Doação de Corpos da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

Segundo ela, a doação voluntária busca suprir a redução de cadáveres não reclamados disponíveis para atividades acadêmicas. Ainda assim, o número de doadores não atende à demanda das instituições.

Kennedy Martinez de Oliveira, coordenador do Programa de Doação de Corpos "Vida após a Vida", da Universidade Federal de Minas Gerais, explicou que os corpos doados permitem treinamentos cirúrgicos avançados.

"Os corpos passam por procedimentos robóticos. Isso é um ganho fantástico para a medicina", afirmou.

Prevenção ao comércio de corpos Os participantes também sugeriram possíveis ajustes no projeto.

Expedito Silva do Nascimento Júnior, coordenador do Programa de Doação de Corpos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), alertou para o risco de mercantilização.

Segundo ele, o texto permite que corpos não reclamados sejam destinados a instituições privadas, inclusive algumas com fins lucrativos.

"No momento em que o capital entrar, podem ter certeza de que a dignidade humana sai pela outra porta", afirmou.

Expedito defendeu que o acesso aos corpos seja restrito a instituições de ensino com cursos da área da saúde reconhecidos pelo Ministério da Educação.

Segurança jurídica e fiscalização Os participantes também apontaram falta de segurança jurídica para pesquisadores e universidades.

Segundo os especialistas, a ausência de regras mais detalhadas gera insegurança para instituições que utilizam corpos em atividades de ensino e pesquisa.

Perito do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Rodrigo Avelar apresentou a experiência do DF. Segundo ele, uma portaria regulamentou a doação de corpos e criou uma fila única para distribuição entre as instituições habilitadas. Avelar defendeu que a futura legislação nacional siga princípios semelhantes de transparência e controle.

Para o promotor, o projeto ainda apresenta lacunas.

"A legislação precisa contemplar tanto a doação voluntária quanto os corpos não identificados", avaliou.

Da Redação - GM

Leia a matéria completa na fonte oficial: Agência Câmara — Direito e Justiça
Compartilhar

Conteúdo coletado automaticamente do feed oficial e curado por filtros de relevância (decisão, acórdão, súmula, tese fixada etc.). Todos os direitos autorais permanecem com a fonte original; o JurisTube apresenta apenas o sumário e o link para a matéria completa.

Boletim do JurisTube
Blog, vídeos, decisões e normas — direto no seu e-mail

Mandamos para você os posts mais recentes do blog, os novos vídeos do acervo, as principais decisões dos tribunais superiores e as normas novas publicadas no DOU. Curadoria automática, leitura de 5 minutos.

Confirmação por e-mail (double opt-in). Descadastro com 1 clique a qualquer momento. Nenhum dado é compartilhado com terceiros.

Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga. Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga.